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A regra fundamental da psicanálise

  • Foto do escritor: Flávia Pagliusi
    Flávia Pagliusi
  • 11 de fev. de 2024
  • 2 min de leitura

foto em preto e branco de Sigmund Freud, pai da psicanálise, vestindo um terno escuro e sentado de frente para uma mesa

Desde Freud, é consenso entre os psicanalistas que uma regra fundamental deve ser observada por aqueles que escolhem iniciar seu percurso analítico:


Fale tudo o que lhe vier à mente com o mínimo de censura possível.


Pode parecer uma regra simples, no entanto, equivale dizer que ao entrar no espaço da análise, seja ele físico ou simbólico, no caso dos processos terapêuticos online, os nossos pudores precisam operar com menos intensidade. Assuntos muitas vezes bastante delicados e difíceis de discutir até mesmo com pessoas íntimas e de confiança não devem ser evitados, caso surjam ao longo da sessão. Um exemplo disso é a nossa relação com o dinheiro, comumente bastante complicada e cheia de melindres! Da mesma maneira acontece com as nossas experiências, fantasias e vontades sexuais, muitas vezes carregadas de moralidade e tabu. No entanto, para além dessas temáticas mais claramente complicadas de se abordar, também pode ser difícil explicitar um preconceito, sentimentos tidos como mesquinhos e negativos, como a inveja, o ódio e o ciúme, bem como pensamentos e fantasias relacionadas à própria analista!


Além disso, a regra fundamental nos atenta para seguirmos o fio do pensamento, sem nos preocuparmos tanto com a lógica e o encadeamento dos assuntos, como acontece numa conversa cotidiana com um amigo ou conhecido. Significa dizer que se você está falando sobre algo que lhe aconteceu no final de semana e, de repente, você se lembra de uma frase que leu em um livro ou um trecho de um sonho que teve na noite passada ou mesmo um flash da sua festa de aniversário de sete anos é interessante inserir esse elemento na sua narrativa. Isso porque nosso inconsciente funciona de um jeito diferente da nossa mente consciente, com a qual estamos mais acostumados. Ele trabalha por meio de associações, as quais nem sempre são claras para nós em um primeiro momento. Seguir o fio do pensamento é um jeito de tentar seguir esse rastro e identificar as impressões que o inconsciente "deixa vazar", nos auxiliando na pesquisa de nosso mundo interno.


Claro que esse espaço de confiança não acontece da noite para o dia, mas vai sendo construído na medida em que a relação analista-analisando também vai se estruturando e ganhando seus contornos, o que pode levar tempo.

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©2024 por Flávia Pagliusi

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