Acolhendo a ansiedade
- Flávia Pagliusi
- 19 de fev. de 2024
- 2 min de leitura

A ansiedade é um fenômeno complexo que surge de conflitos internos e mecanismos de defesa inconscientes que vamos criando e desenvolvendo ao longo da vida. Normalmente disparada quando nos encontramos diante de uma situação percebida como ameaçadora, ainda que não entendamos muito bem o porquê, a ansiedade pode se apresentar de diversas maneiras, desde preocupações constantes até sintomas físicos como coração acelerado, suor excessivo, tremores, tensão muscular e até beirar o pânico.
Conviver com a ansiedade no dia a dia pode ser bastante difícil, causando incômodos significativos e interferindo nas atividades mais simples. Aos poucos, vamos acompanhando nossa vida tomada pela ânsia angustiante de futuro, como se não conseguíssemos mais aproveitar o momento presente, sempre preocupados com o que está por vir. Isso pode se refletir de diversas maneiras no cotidiano, como em uma dificuldade de concentração, insônia persistente, irritabilidade, automutilação (indo desde pequenos machucados, como morder os lábios, roer unhas e dedos, arrancar cabelos até injúrias mais graves, como cortes na pele), o que afeta bastante as nossas relações interpessoais com os familiares, amigos e colegas de trabalho.
Caso não seja acolhida e escutada, a ansiedade por acabar se transformando num transtorno crônico, contribuindo para o desenvolvimento de problemas de saúde física, como doenças cardiovasculares e aumento do risco de AVC, e para o agravamento do quadro de saúde mental, com sintomas mais graves de depressão e síndrome do pânico. Assim, é fundamental abordar a ansiedade de forma adequada, buscando, mais que estratégias de controle, a compreensão de suas raízes e motivações.
Através da análise dos processos inconscientes, a analista acolhe e auxilia o paciente a lidar com as fontes internas de sua ansiedade, trazendo alívio e bem-estar emocional. Em vez de apenas tratar os sintomas, a psicanálise oferece uma oportunidade para explorar e compreender suas origens profundas, possibilitando uma abordagem mais completa e duradoura para o tratamento e promovendo um entendimento mais profundo de si mesmo. É sempre importante destacar que cada sujeito é único e singular e, portanto, requer uma condução terapêutica específica. Para algumas pessoas, o acompanhamento psiquiátrico concomitante à terapia também pode se fazer necessário, oferecendo ao paciente condições clínicas para que possa enfrentar suas questões com mais tranquilidade e segurança na análise.
